04/12/2007 15:12

Traição: vanitas vanitatum et omnia vanitas

“Gostaria de saber por que o homem, mesmo amando uma pessoa, consegue traí-la com outras? E consegue olhar para a pessoa que ama e dizer ‘eu te amo’, como se nada tivesse acontecido? Conheço um rapaz há dois anos e meio, no começo éramos amigos até eu me envolver com ele. Depois fui descobrir que ele tinha um caso com outra mulher, que estavam juntos fazia quatro anos, ele morando com ela, e eu achando que ele me amava, porque ele sempre dizia que não tinha ninguém, afinal, quem ficava no meu pé era sempre ele. Hoje sofro muito porque eu amo, e ele sempre vem me procurar mesmo estando com sua mulher. O que leva um homem a fazer isso?”
A.A.

“Sou casada há 18 anos e recentemente descobri que meu marido me traia com prostitutas. Depois que descobri um caso, ele mesmo me confessou os outros, diz que são sempre garotas diferentes, sem vínculos, que para ele isto significa uma tara, pois o satisfaço muito na cama. Agora a pergunta que não cala, quem ama trai? E porque a traição com este tipo de pessoa? Se é uma tara, isso passa ou ele pode ter uma recaída? E ainda por cima me convida para fazer sexo com outro homem, que é uma fantasia dele. Como descrever uma pessoa assim? Louca, dissimulada ou psicopata?”

C.

Uh lá lá! Pensar nesses casos vai ser trabalhoso... Selecionei os dois casos porque falam da mesma coisa, mas cada um tem sua particularidade a ser abordada depois que eu falar do geral, a traição.

Como homem, não sei se defendo a classe até o fim e nego com veemência que todos sigam essa lógica ou se tento pensar em “porquês”. Quando discuto sobre traição com amigos, sempre rodamos em torno de algumas justificativas, que são a vaidade, a dificuldade em aceitar o passar do tempo e a idéia de se sentir uma “posse”, um bem imóvel.

E, depois do livro “O mito da monogamia”, a justificativa maior foi reafirmada com louvor. Segundo os autores, monogamia é regra imposta, mas não é a prática mais aplicada na sociedade. A poligamia é da natureza animal. Ou, como bem traduziu Vange Leonel, “a natureza é promíscua e a monogamia é uma invenção dos ciumentos”.

Ok, pode ser que isso seja natural, mas insisto, como disse no post sobre casamentos, que há pessoas que valem a pena driblar esse “instinto”. Bem como penso que ninguém é obrigado a assumir um relacionamento, por isso acho errada a traição. Quer ficar com várias pessoas, vai lá, sucesso, o mundo é seu. Mas se assumiu um compromisso, cumpra. Se não dá mais, rompa. Simples assim, sincero.

Voltando ao foco, até a mais pudica e recatada das pessoas consegue contar uma mentirinha com a cara lavada. Todo mundo consegue trair, chegar em casa, tomar um banho e soltar um “eu te amo”. Ainda mais depois que isso fica automático.

Minha opinião é que os humanos até podem ser monogâmicos, mas sempre serão vaidosos e inseguros. Por isso essa vontade de conquistar cada vez mais pessoas, de seduzir, de ganhar, de se provar um cara desejado, de aumentar o leque de possibilidades e bradar independência. Parece que isso é mais acentuado na adolescência e depois dos 45, quando as rugas começam a bater e a pouca segurança que resta vai saindo pela porta dos fundos.

Como evitar uma traição? Impossível... Mas um relacionamento dinâmico, diverso, saudável, com bom ritmo e que sempre se renova – evitar a rotina, sempre! – é um passo largo para isso. Não trocar, mas renovar.

Uma vez que haja traição, aí é melhor cair fora. Não acredito que um relacionamento possa ser retomado de maneira salutar depois que um dos dois traiu. Confiança que vai pro espaço nunca mais volta.

Sobre cada caso, no primeiro a pessoa que me escreveu é “a outra”. Por isso o cara ficava no seu pé e ainda corre atrás, porque você é a novidade que ele não conseguiu embutir no casamento e nem ter peito para assumir. É a auto-afirmação, a conquista, o “desejo proibido”, a novidade. Traída foi a outra, na verdade. Você foi enganada.

No segundo, louco e psicopata ele não é, mas dissimulado talvez seja. As prostitutas entram na história porque são mais fáceis do que conquistar uma mulher qualquer e dificilmente vão ligar em sua casa atrás dele ou fazer um escândalo porque ele sumiu. Pode ser uma nova a cada vez, realizando as vontades e fantasias dele. Pelo que me escreveu, ele tem algumas vontades e fetiches. Talvez fosse salutar tentarem alguns entre o casal, até o limite que cada um consiga e esteja gostando e sentindo prazer. Mas, como eu já disse, uma vez que houve a traição é difícil se recompor.

*O título, em Latim: vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
*Na foto, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, que confirmou uma "relação inapropriada" com Monica Lewinsky e ter fumado sem tragar. Uhum.

Abraço!
enviada por Lucasof





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Perfil

Lucas de Oliveira

Lucas de Oliveira Fernandes, o Lucasof, não é terapeuta, psicólogo ou especialista em comportamento feminino. Também não é um namorado ou marido ideal e nem faz amarração amorosa. É só um jornalista palpiteiro que vai utilizar esse espaço para compartilhar suas opiniões sobre as mulheres e suas vias paralelas e transversais. Alguma coisa vai mal em sua vida, você não entende a cabeça dos homens? Ele dá uma mãozinha!

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